Procuro conhecer um pouco de tudo para nunca descriminar alguém por falta de conhecimento do que ela seja.
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sábado, 16 de julho de 2011
Cuidado que dá azar!28.09.2007
O país da tecnologia tem superstições milenares. Elas são curiosas, mas todo mundo acreditapor Redação Gambare!
O Japão é o país dos trens de alta velocidade, das novidades tecnológicas, da exportação de supercarros. Pode não parecer um ambiente propício para crendices populares, mas a verdade é que ele é um dos países mais supersticiosos do mundo. Repare. Há crenças para quase tudo: desde a posição em que se deve colocar a cama no quarto para não atrair má sorte, até datas favoráveis a casamentos. Algumas, como a de que o número quatro atrai azar, são levadas muito a sério. Dar um presente composto por quatro peças, não importa se o presenteado é cético ou não, é considerado uma grande ofensa. Por definição, superstição é a crença naquilo que não pode ser explicado de forma científica. Muitas delas, no arquipélago, são tão antigas quanto as religiões nacionais xintoísta e budista. Atravessaram os séculos e chegaram ao Japão moderno com toda força. Outras, como a de que ter o caminho cruzado por um gato preto é sinal de mau agouro, são mais recentes, e foram importadas do Ocidente. Conheça, a seguir, algumas superstições japonesas e, na dúvidas, bata na madeira.
Pavor do número quatro
Japoneses têm pavor do número 4. É que a pronúncia desse número é a mesma da palavra morte, shi. Por isso, não estranhe se não encontrar o quarto andar em um prédio, ou se achar a vaga de carro de número quatro vazia. Além disso, alguns hospitais japoneses não têm os números 4, 9, 14, 19, ou 42 nos quartos. Shi-ni, ou 42, também significa morrer. Já o número 420 lê-se shi-ni-rei, ou espírito morto. O 24, então, é morte em dobro: ni-shi.
Números da sorte
Mas os números não trazem apenas mau agouro. Um exemplo é o dia 29 de setembro. A data é muito indicada para começar um namoro, ou marcar o noivado e o casamento. Tudo porque a leitura em japonês do número 929 (no país, o mês vem antes da data) é ku-tsu-ku, que significa “grudar”. Ou seja, acredita-se que o casal que oficializa a união nesse dia permanecerá “grudado” para todo o sempre. Romântico…
Mau dia
Pretende se casar no Japão mas o dinheiro está curto? Se não acredita em superstições e mau agouro, uma boa dica é marcar a data no Butsumetsu, ou dia da morte de Buda. A data é considerada de péssimo agouro, e muito evitada pelos japoneses, principalmente, para casar. Casais corajosos que não se importam com a data, ou que querem economizar, costumam ganhar descontos no pacote de comemoração.
Ciclo de seis dias
Durante os séculos 14 a 19, os japoneses utilizavam um calendário lunar, composto por seis dias, conhecido como Rokuyo ou Rokki. Cada dia tem um nome e é associado a um dia de boa ou má sorte. São eles o senshô, tomobiki, senbu, butsumetsu, taian e shakkô. É comum marcar casamentos e funerais baseados no Rokuyo. Acredita-se que o Taian é a melhor data para celebrar o matrimônio. Os calendários japoneses costumam estampar em que dia caem essas datas.
Cobra da fortuna
Se em alguma caminhada campestre você se deparar com um pedaço de pele de cobra, pegue-o e guarde na carteira. De acordo com os japoneses, o couro do réptil fará com que você fique rico ou encontre dinheiro. Para os japoneses, o ser rastejante simboliza dinheiro e saúde. Alguns acreditam que a cobra é um animal de Deus. Dizem que ao matála, a pessoa perderá dinheiro
Direção demoníaca
Muitos japoneses ainda acreditam que a planta de uma casa pode influenciar na fortuna que quem irá residir no local. Essa crença é denominada Kaso. Trata-se de uma espécie de feng shui do Japão. Um exemplo é o kimon, ou seja, quando a porta de entrada da casa está posicionada na direção nordeste. Os antigos crêem que o kimon atrai o demoníaco monstro Oni. Até hoje, muitos evitam posicionar a entrada principal da casa nessa direção.
De hashi para hashi
Até hoje, muitos funerais seguem a tradição budista. Nesse dia, o corpo é queimado e, enquanto isso, os convidados fazem uma refeição. Encerrada a cerimônia, os parentes retiram os ossos das cinzas, passandoos de pessoa para pessoa, com o hashi. Por esse motivo, nas refeições do dia-a-dia, não se deve passar comida de hashi para hashi. Segundo os japoneses, isso traz má sorte.
Deitar como morto
Na hora de decorar seu quarto, lembre-se de não posicionar a cama para o norte. Ou melhor, não coloque a cabeceira nessa direção. De acordo com os japoneses, somente pessoas mortas são colocadas desse jeito. No Japão, é costume prestar muita atenção ao colocar a cama no quarto ou na hora de estender o futon para dormir. Essa superstição é denominada kita-makura. Kita significa norte e makura, travesseiro.
Borda do tatami
Para os japoneses, pisar na borda do tatami dá azar. É preciso prestar atenção também na hora de posicionar o tatami no chão. O encontro das bordas não pode formar uma cruz, que remete à morte. É importante medir o espaço e arrumálos de maneira correta. Além do mau agouro, eles consideram pouco elegante colocar o pé nesse local. O ideal é pisar na parte de junco.
Idades turbulentas
Os templos e santuários do Japão costumam receber homens e mulheres que não querem sofrer a maldição do “yakudoshi”. A palavra se refere às idades de 42 anos para homens, e 33 para mulheres. A palavra “yaku” significa calamidade e doshi, idade. Os japoneses acreditam que esse período é crítico e turbulento, por isso os amigos e parentes oferecem uma festa para reunir energia positivas para ajudar a superar as dificuldades do período. No ano seguinte, ou seja, quando a mulher completar 34 e o homem 43, é a vez dos aniversariantes retribuírem a festa. O agradecimento é chamado de yakubarai. Segundo estudiosos, os dois números integram o princípio do Yin e Yan, pois 34 é o contrário de 43 e a soma de 4 + 3 = 7, que é considerado um número místico. Algumas pessoas agradecem com um culto, em vez de festa.
Os japoneses acreditam que dá azar…
- Matar uma aranha de manhã
- Arrebentar a tira do chinelo, getá, sandália, tamanco e afins
- Comer tempurá com melancia na mesma refeição
- Levar um vaso de planta para uma pessoa doente
- Não jogar sal na porta depois que um mendigo passar por sua casa pedindo esmola
- Passar por um carro funerário
- Apontar para um carro funerário, ambulância ou lápide
- Se a primeira pessoa que encontrar de manhã for um monge budista, você terá um dia ruim
- Estrear sapatos novos à noite
- Quebrar o pente
- Responder a um sonâmbulo
Superstições de boa sorte
- Se um passarinho fizer cocô na sua cabeça, isso é sinal de bom presságio
- Se a primeira pessoa que encontrar de manhã for uma monja, terá um dia de sorte
- Se o ouvido direito coçar, terá boas notícias
Algumas crenças muito estranhas
- Não se deite logo após comer. Você pode se transformar em uma vaca
- Em uma refeição, não misture enguia com umê (ameixa japonesa). Isso pode trazer muito azar
- Se cortar as unhas à noite, você não estará presente quando seus pais falecerem
Por Érika Omori no site http://gambare.uol.com.br/2007/09/28/cuidado-que-da-azar/
O Japão é o país dos trens de alta velocidade, das novidades tecnológicas, da exportação de supercarros. Pode não parecer um ambiente propício para crendices populares, mas a verdade é que ele é um dos países mais supersticiosos do mundo. Repare. Há crenças para quase tudo: desde a posição em que se deve colocar a cama no quarto para não atrair má sorte, até datas favoráveis a casamentos. Algumas, como a de que o número quatro atrai azar, são levadas muito a sério. Dar um presente composto por quatro peças, não importa se o presenteado é cético ou não, é considerado uma grande ofensa. Por definição, superstição é a crença naquilo que não pode ser explicado de forma científica. Muitas delas, no arquipélago, são tão antigas quanto as religiões nacionais xintoísta e budista. Atravessaram os séculos e chegaram ao Japão moderno com toda força. Outras, como a de que ter o caminho cruzado por um gato preto é sinal de mau agouro, são mais recentes, e foram importadas do Ocidente. Conheça, a seguir, algumas superstições japonesas e, na dúvidas, bata na madeira.
Pavor do número quatro
Japoneses têm pavor do número 4. É que a pronúncia desse número é a mesma da palavra morte, shi. Por isso, não estranhe se não encontrar o quarto andar em um prédio, ou se achar a vaga de carro de número quatro vazia. Além disso, alguns hospitais japoneses não têm os números 4, 9, 14, 19, ou 42 nos quartos. Shi-ni, ou 42, também significa morrer. Já o número 420 lê-se shi-ni-rei, ou espírito morto. O 24, então, é morte em dobro: ni-shi.
Números da sorte
Mas os números não trazem apenas mau agouro. Um exemplo é o dia 29 de setembro. A data é muito indicada para começar um namoro, ou marcar o noivado e o casamento. Tudo porque a leitura em japonês do número 929 (no país, o mês vem antes da data) é ku-tsu-ku, que significa “grudar”. Ou seja, acredita-se que o casal que oficializa a união nesse dia permanecerá “grudado” para todo o sempre. Romântico…
Mau dia
Pretende se casar no Japão mas o dinheiro está curto? Se não acredita em superstições e mau agouro, uma boa dica é marcar a data no Butsumetsu, ou dia da morte de Buda. A data é considerada de péssimo agouro, e muito evitada pelos japoneses, principalmente, para casar. Casais corajosos que não se importam com a data, ou que querem economizar, costumam ganhar descontos no pacote de comemoração.
Ciclo de seis dias
Durante os séculos 14 a 19, os japoneses utilizavam um calendário lunar, composto por seis dias, conhecido como Rokuyo ou Rokki. Cada dia tem um nome e é associado a um dia de boa ou má sorte. São eles o senshô, tomobiki, senbu, butsumetsu, taian e shakkô. É comum marcar casamentos e funerais baseados no Rokuyo. Acredita-se que o Taian é a melhor data para celebrar o matrimônio. Os calendários japoneses costumam estampar em que dia caem essas datas.
Cobra da fortuna
Se em alguma caminhada campestre você se deparar com um pedaço de pele de cobra, pegue-o e guarde na carteira. De acordo com os japoneses, o couro do réptil fará com que você fique rico ou encontre dinheiro. Para os japoneses, o ser rastejante simboliza dinheiro e saúde. Alguns acreditam que a cobra é um animal de Deus. Dizem que ao matála, a pessoa perderá dinheiro
Direção demoníaca
Muitos japoneses ainda acreditam que a planta de uma casa pode influenciar na fortuna que quem irá residir no local. Essa crença é denominada Kaso. Trata-se de uma espécie de feng shui do Japão. Um exemplo é o kimon, ou seja, quando a porta de entrada da casa está posicionada na direção nordeste. Os antigos crêem que o kimon atrai o demoníaco monstro Oni. Até hoje, muitos evitam posicionar a entrada principal da casa nessa direção.
De hashi para hashi
Até hoje, muitos funerais seguem a tradição budista. Nesse dia, o corpo é queimado e, enquanto isso, os convidados fazem uma refeição. Encerrada a cerimônia, os parentes retiram os ossos das cinzas, passandoos de pessoa para pessoa, com o hashi. Por esse motivo, nas refeições do dia-a-dia, não se deve passar comida de hashi para hashi. Segundo os japoneses, isso traz má sorte.
Deitar como morto
Na hora de decorar seu quarto, lembre-se de não posicionar a cama para o norte. Ou melhor, não coloque a cabeceira nessa direção. De acordo com os japoneses, somente pessoas mortas são colocadas desse jeito. No Japão, é costume prestar muita atenção ao colocar a cama no quarto ou na hora de estender o futon para dormir. Essa superstição é denominada kita-makura. Kita significa norte e makura, travesseiro.
Borda do tatami
Para os japoneses, pisar na borda do tatami dá azar. É preciso prestar atenção também na hora de posicionar o tatami no chão. O encontro das bordas não pode formar uma cruz, que remete à morte. É importante medir o espaço e arrumálos de maneira correta. Além do mau agouro, eles consideram pouco elegante colocar o pé nesse local. O ideal é pisar na parte de junco.
Idades turbulentas
Os templos e santuários do Japão costumam receber homens e mulheres que não querem sofrer a maldição do “yakudoshi”. A palavra se refere às idades de 42 anos para homens, e 33 para mulheres. A palavra “yaku” significa calamidade e doshi, idade. Os japoneses acreditam que esse período é crítico e turbulento, por isso os amigos e parentes oferecem uma festa para reunir energia positivas para ajudar a superar as dificuldades do período. No ano seguinte, ou seja, quando a mulher completar 34 e o homem 43, é a vez dos aniversariantes retribuírem a festa. O agradecimento é chamado de yakubarai. Segundo estudiosos, os dois números integram o princípio do Yin e Yan, pois 34 é o contrário de 43 e a soma de 4 + 3 = 7, que é considerado um número místico. Algumas pessoas agradecem com um culto, em vez de festa.
Os japoneses acreditam que dá azar…
- Matar uma aranha de manhã
- Arrebentar a tira do chinelo, getá, sandália, tamanco e afins
- Comer tempurá com melancia na mesma refeição
- Levar um vaso de planta para uma pessoa doente
- Não jogar sal na porta depois que um mendigo passar por sua casa pedindo esmola
- Passar por um carro funerário
- Apontar para um carro funerário, ambulância ou lápide
- Se a primeira pessoa que encontrar de manhã for um monge budista, você terá um dia ruim
- Estrear sapatos novos à noite
- Quebrar o pente
- Responder a um sonâmbulo
Superstições de boa sorte
- Se um passarinho fizer cocô na sua cabeça, isso é sinal de bom presságio
- Se a primeira pessoa que encontrar de manhã for uma monja, terá um dia de sorte
- Se o ouvido direito coçar, terá boas notícias
Algumas crenças muito estranhas
- Não se deite logo após comer. Você pode se transformar em uma vaca
- Em uma refeição, não misture enguia com umê (ameixa japonesa). Isso pode trazer muito azar
- Se cortar as unhas à noite, você não estará presente quando seus pais falecerem
Por Érika Omori no site http://gambare.uol.com.br/2007/09/28/cuidado-que-da-azar/
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Mário Quintana-parte 2
Ah! Os Relógios
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
_________________________________________________________________________________
Canção do Dia de Sempre
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
_________________________________________________________________________________
Canção do Amor Imprevisto
Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
_________________________________________________________________________________
Canção do Dia de Sempre
Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
_________________________________________________________________________________
Canção do Amor Imprevisto
Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.
Mário Quintana
Mãe
Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!
_________________________________________________________________________________
Data e Dedicatória
Teus poemas, não os dates nunca... Um poema
Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora estrema
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores,
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez ainda nem tenha nascido,
Dedica, pois, os teus poemas.
Não os dates, porém:
As almas não entendem disso...
_________________________________________________________________________________
Viver
Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar... Ah,
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar...
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!
_________________________________________________________________________________
Confissão
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!
_________________________________________________________________________________
Canção Para Uma Valsa Lenta
Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa… de encanto… de medo...
Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance...
Pobre vida… passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim… Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...
quinta-feira, 30 de junho de 2011
A tardia aceitação religiosa da série Harry Potter, por Daniel Mahlmann
Os fãs que acompanharam a publicação dos livros Potter viram que a obra de JK Rowling foi alvo de críticas por parte de religiosos, sendo abolido de inúmeras escolas e até mesmo descrita pelo Cardeal Joseph Ratzinger (agora Papa Bento XVI) como uma história com “seduções sutis” que poderiam “corromper a fé cristã”.
Porém, desde quando o último livro foi lançado em 2007, esse quadro mudou. Segundo uma matéria publicada pelo jornal Boston, atualmente vários religiosos, teólogos e acadêmicos vem publicando livros apontando as semelhanças positivas entre a série e a religião.
Alguns estudiosos acham que Harry Potter é uma personagem que lembra Cristo, e afirmam que a história trata de questões entre bem e mal, tolerância, raças, moralidade e mortalidade. Por outro lado, a professora assistente Oona Eisenstadt argumenta que Rowling explora a natureza complexa dos personagens bíblicos, apresentando duas versões de cada nos livros.
Segundo ela, Snape e Malfoy representam visões concorrentes sobre Judas – ambos tentando matar Dumbledore, mas um porque está servindo ao mal e o outro por força do destino. Oona vê Dumbledore e Harry como diferentes representações de Cristo – talvez Harry represente o Jesus humano e Dumbledore o divino. Mas como nem tudo é um mar de rosas, nem todos estão tão entusiasmados. Elizabeth Heilman, editora de “Perspectivas Críticas sobre Harry Potter” diz que diferentemente de Hermione, que adota a causa dos elfos domésticos, “você não vê Harry Potter tomar partido em nenhuma causa para ajudar os oprimidos. Ele é na verdade um herói relutante e não estou convencida de que a narrativa o mostre efetivamente agindo além de seus motivos pessoais.”
A tradução dessa interessante matéria pode ser lida em sua íntegra na extensão!
HARRY POTTER
O livro de Harry
Boston.com ~ Michael Paulson
16 de agosto de 2009
Tradução: Juliana Poli Bonil
Como o garoto bruxo conquistou os críticos religiosos – e o significado profundo que os teólogos agora veem em sua história. A princípio, o meio religioso não ficou muito entusiasmado com a chegada de Potter. Por vários anos a série de J.K. Rowling esteve no topo da lista de piores livros da Associação Americana de Bibliotecas (motivos citados em 2001: “contra a família, satanismo/ocultismo, ponto de vista religioso e violência”). Protestantes evangélicos estavam em dúvida: a representação da bruxaria como algo positivo conduziria as crianças ao mau caminho? Alguns católicos estavam preocupados também, desde o Cardeal Joseph Ratzinger (agora Papa Bento XVI), que fez um alerta em relação às “seduções sutis” no texto que poderiam “corromper a fé cristã,” até o Reverendo Ronald A. Barker, um padre de Wakefield que retirou os livros da biblioteca da escola de sua paróquia.
Porém, ao longo dos últimos anos, escritores e pensadores religiosos se afeiçoaram a Harry – tanto o Christianity Today, revista evangélica, como L’Osservatore Romano, o jornal do Vaticano, elogiaram o último filme. A Christian Broadcasting Network, de Pat Robertson, tem agora uma seção especial em seu website, “A Controvérsia de Harry Potter,” com a nota: “Importantes pensadores cristãos têm visões diferentes sobre os produtos de Harry Potter e sobre como os cristãos devem reagir a eles.”
Ao mesmo tempo, estudiosos da religião começaram a desenvolver uma abordagem mais refinada do fenômeno Potter, segundo alguns, a série extremamente popular de livros e filmes contém mensagens éticas positivas e uma abrangência narrativa que merece uma séria análise acadêmica e até mesmo uma reflexão teológica. Os acadêmicos estão interessados principalmente no que os livros têm a dizer sobre as duas grandes questões que sempre preocupam as pessoas de fé – moralidade e mortalidade – mas alguns também estão interessados no que a série tem a dizer sobre tolerância (Harry e seus amigos são claramente abertos a pessoas e criaturas diferentes), intimidação, a natureza e presença do mal na sociedade e a existência do sobrenatural.
O interesse acadêmico por Potter surgiu bem antes do término da série e não demonstra sinais de diminuição. Vários livros acadêmicos foram publicados com títulos como: “A Torre de Marfim e Harry Potter: Perspectivas sobre um fenômeno literário” e “O Mundo de Harry Potter: Perspectivas Críticas Multidisciplinares.” No último outono, a Academia Americana de Religião ofereceu uma mesa redonda com o título: “Estilo de Morte Potteriano: A Concepção de Mortalidade de J.K. Rowling.” E há uma enxurrada de artigos em publicações religiosas com títulos como: “Procurando por Deus em Harry Potter” e “Envolvendo-se com a Espiritualidade de Harry Potter,” assim como os mais complexos, “Harry Potter e o Batismo da Imaginação,” “Harry Potter e a Questão do Mal” e o popular “Harry Potter e as Bibliotecas Teológicas.” “Há um campo enorme em desenvolvimento na religião e na cultura popular, não para simplesmente analisarem-se quais paralelos existem, se está de acordo com crenças religiosas ou é contra elas, mas para olhar as histórias como um reflexo da sensibilidade espiritual ou religiosa da cultura,” diz Russel W. Dalton, professor assistente de educação cristã na Brite Divinity School no Texas, autor de “Faith Journey through Fantasy Lands: A Christian Dialogue with Harry Potter, Star Wars, and The Lord of the Rings.” (“Jornada da Fé pelas Terras da Fantasia: Um Diálogo Cristão com Harry Potter, Guerra nas Estrelas e Senhor dos Anéis”).
“Quando histórias se tornam tão populares quanto às de Harry Potter, elas deixam de simplesmente refletir as visões religiosas do autor e se tornam artefatos da cultura, revelando algo sobre a cultura que as aceitou,” diz Dalton. “E este é com certeza o caso de Harry Potter.”
O interesse acadêmico no Menino que Sobreviveu faz parte de uma busca maior de estudiosos da religião e escritores por sinais de fé e, principalmente, por ecos da narrativa cristã na cultura. Esta busca não é nova, embora os estudiosos tenham historicamente se concentrado nas grandes artes, como pintura e literatura. Mais recentemente, escritores religiosos voltaram sua atenção para a cultura popular, publicando livros com títulos como “O Evangelho Segundo os Simpsons,” de Mark Pinsky e o “Evangelho Segundo os Irmãos Coen,” de Cathleen Falsani, enquanto eruditos examinam o papel da religião nos clipes de Madonna e nas séries Jornada nas Estrelas e Lost.
“Temos de nos envolver com as coisas das quais as pessoas falam,” diz Jeffrey H. Mahan, professor de missão, mídia e cultura na Iliff School of Theology, no Colorado e um dos pioneiros no estudo da religião e cultura popular.
Há também uma longa tradição de utilização da literatura infantil como uma forma de pedagogia religiosa. Amy Boesky, professora de inglês no Boston College, diz que o uso da literatura infantil para ensinar valores morais existe pelo menos desde a época de Erasmo, escritor da Renascença, e inclui clássicos infantis desde “O Peregrino”, publicado em 1678 até “Uma Dobra no Tempo,” de 1962. O exemplo mais conhecido é a série em sete volumes “As Crônicas de Nárnia,” escrita no início da década de 50 pelo defensor do cristianismo, C.S.Lewis, que além de ser uma literatura fantasiosa divertida, é normalmente entendida como uma alegoria cristã, com Aslan, o leão heróico, como óbvia representação de Cristo.
Embora alguns estudiosos agora vejam Harry Potter como um personagem que lembra Cristo, os paralelos são mais sutis e, sem dúvida, para muitos leitores são obscurecidos por uma torrente vertiginosa de feitiços, criaturas estranhas e partidas de Quadribol. O próprio Harry é um herói adolescente complexo, assombrado pelo assassinato de seus pais, mas às vezes perturbado com seu próprio papel no mundo e incerto, como qualquer um estaria, em relação à estranha conexão de sua mente com a do maléfico antagonista da série, Voldemort.” A série Potter não é explicitamente religiosa como as histórias de Nárnia, de C.S. Lewis, mas tem um forte juízo do mal e as questões entre bem e mal não são apenas filosóficas, mas também teológicas,” diz Gareth B. Matthews, professor de filosofia na UMass Amherst.
Alguns acadêmicos vão muito longe em sua busca por temas evangélicos na série Potter, Oona Eisenstadt, professora assistente de estudos religiosos na Pomona College, oferece uma análise particularmente elaborada, argumentando que Rowling explora a natureza complexa dos personagens bíblicos, apresentando duas versões de cada nos livros. Segundo ela, Snape e Malfoy representam visões concorrentes sobre Judas – ambos tentando matar Dumbledore, mas um porque está servindo ao mal e o outro por força do destino. Eisenstadt vê Dumbledore e Harry, de maneiras diferentes, como representações de Cristo – talvez Harry represente o Jesus humano e Dumbledore o divino. Ela sugere que a representação do Novo Testamento de elementos da comunidade judaica está representada pelos duendes (banqueiros repulsivos) e pelo Ministério da Magia (legalistas e tradicionalistas).
“Ao invés de oferecer uma alegoria para cada personagem, o que seria forçar seus leitores mirins a aceitar uma teologia, os pares de Rowling são um convite para eles e para todos nós, eu acho,” escreve Eisenstadt.
Alguns estudiosos da religião parecem mais interessados na série como um comentário social – eles focam particularmente na recusa de Harry em participar do pendor anti-trouxa demonstrado por alguns bruxos de sangue puro, assim como da hostilidade, manifestada por alguns personagens da série, contra os gigantes e fantasmas e outras criaturas mágicas ameaçadoras. “Um dos temas principais em Harry Potter tem a ver com raças e com a perseguição baseada em raças,” diz Lana A. Whited, professora de inglês na Ferrum College em Virginia e autora de “A Torre de Marfim e Harry Potter.” Dalton leva essa argumentação mais longe sugerindo que a associação da tolerância com personagens heróicos na série é uma crítica ao fundamentalismo.
“Para Dumbledore e Harry e seus amigos, não importa se você é nascido trouxa ou se é um gigante,” diz Dalton, “enquanto os comensais da Morte, os malvados, são claramente intolerantes com pessoas diferentes deles.”Mas nem todos os acadêmicos estão tão entusiasmados. Elizabeth Heilman, professora assistente de licenciatura na Michigan State University e editora de “Critical Perspectives on Harry Potter” (“Perspectivas Críticas sobre Harry Potter”) diz que diferentemente de Hermione que adota a causa dos elfos domésticos, “você não vê Harry Potter tomar partido em nenhuma causa para ajudar os oprimidos. Ele é na verdade um herói relutante e não estou convencida de que a narrativa o mostre efetivamente agindo além de seus motivos pessoais.”
O interesse dos estudiosos por Harry Potter intensificou-se com a chegada do muito aguardado livro final, “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, publicado em 2007. A dúvida se Harry morreria (Alerta de Spoiler!) foi muito debatida antes de o livro ser lançado e não é necessário um grau de divindade para ver os temas sacrifício e ressurreição na resolução desta dúvida.
“Eu me lembro de estar ansioso pelo sétimo livro e de discutir com meus filhos se Harry morreria, e muito dessa discussão era sobre até que ponto Rowling faria deste um livro cristão: Harry morreria e salvaria o mundo?” diz Steven Prothero, professor de religião na Boston University.
O resultado (é sério: Alerta de Spoiler!) é o ponto de partida para muitos estudiosos da religião porque nas cenas finais Harry percebe que “sua missão era caminhar calmamente para a Morte que o esperava de braços abertos,” escreve Rowling. Harry se deixa matar – ou pelo menos atingir por um feitiço mortal – para salvar o mundo bruxo, mas então retorna à vida, encorajado por Dumbledore que diz à Harry, “retornando você pode garantir que menos almas sejam mutiladas, menos famílias separadas.” Harry então elimina Voldemort e é descrito no livro como sendo visto pela multidão que testemunhou a batalha final como “seu líder e símbolo, seu salvador e seu guia.”
“No final do último livro temos um Potter que morre e ressuscita – ele tem de ser morto para livrar o mundo do mal personificado por Voldemort,” diz Paul V. M. Flesher, diretor do programa de estudos religiosos da Universidade de Wyoming e autor de um artigo sobre Harry Potter para o Journal of Religion and Film. “Há um padrão cristão nesta história. Não é apenas o bem contra o mal. Rowling não está sendo evangelista – isto não é C.S.Lewis – mas ela conhece estas histórias e está claro que ela está juntando os pedaços de uma maneira que faz sentido e que ela sabe que seus leitores irão acompanhar.”
A própria Rowling, após a publicação do livro final, disse que pensou que os temas religiosos “sempre foram óbvios,” e os estudiosos notam que há pelo menos duas citações do Novo testamento não atribuídas a ele na série, uma no túmulo da mãe e da irmã de Dumbledore (“Onde está o seu tesouro, lá estará também o seu coração,” de Mateus) e outra no túmulo dos pais de Harry (“O último inimigo a ser destruído é a morte,” de I Coríntios)
A luta definitiva de Harry com a morte selou o romance entre estudiosos da religião e a série Potter, as controvérsias iniciais sobre varinhas e bruxaria estão agora muito obscurecidas pela discussão sobre o personagem Harry e suas escolhas na vida.
“Ao invés de condenar certos elementos da série como sendo malignos – como muitos cristãos fizeram – temos de convidar nossas comunidades a apreciarem mais profundamente tanto as similaridades como os contrastes entre as histórias e a nossa fé cristã,” escreve Mary Hess, do Luther Seminary em Minnesota, no jornal Word & World.
Como era de se esperar, Leonie Caldecott, escrevendo no Christian Century alguns meses após a publicação do sétimo livro opina, “Como é revelado em ‘Relíquias da Morte,’ longe de tentar enganar a morte, Harry a aceita quando entende que isto é necessário para salvar os outros e não apenas aqueles que ele ama.”
Anteriormente na série, Dumbledore, deixa claro sua visão sobre essa questão dizendo, “Para a mente bem organizada, a morte é apenas a próxima grande aventura.”
Na conferência da Academia Americana de Religião, participantes da mesa redonda procuraram por significados na cena final assim como em outras descrições da morte na série Potter. Paul Corey, palestrante de estudos religiosos da McMaster University no Canadá, perguntou retoricamente, “Qual a diferença entre um cristão e um Comensal da Morte?” como ponto de partida para pensar-se sobre como a busca de Voldemort para conquistar a morte pode ser diferente ou assemelhar-se com o desejo cristão pela vida eterna no Paraíso. E Lois Shepherd, bioeticista da Universidade da Virginia, disse que encontrou na série um argumento contra o prolongamento da vida a qualquer custo – uma rejeição do que ela chama de “busca para evitar a morte” que, segundo ela, fez parte do debate no mundo real sobre Terri Schiavo.
"A morte, na filosofia da série, não deve ser temida,” diz Shepherd. “São na verdade aqueles que mais temem a morte – Voldemort sendo o exemplo supremo – que participam de atos maléficos indizíveis.”
artigo retirado do site Potterish: http://arquivo.potterish.com/2009/08/harry-potter-e-a-tardia-aceitacao-religiosa/
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