Profundo Conhecimento

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sábado, 30 de abril de 2011

Fernando Pessoa

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Poemas ao Vento...


Vento que passas
Nos pinheirais
Quantas desgraças
Lembram teus ais.
Quanta tristeza,
Sem o perdão
De chorar pesa
No coração.

E ó vento vago
Das solidões
Traze um afago
Aos corações.
À dor que ignoras
Presta os teus ais,
Vento que choras
Nos pinheirais.

Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora;
Mas também meu pensamento
Tem um vento que o devora.
Há uma íntima intenção
Que tumultua em meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer;

Não sei se há ramos deitados
Abaixo no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.
Dos ramos que ali caíram
Sei só que há mágoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Autopsicografia, de Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Queria namorar, não porque me sinto na solidão, está só nem sempre é ser só, mas porque quero sentir meu coração bater mais forte e depois parar, quero desejar sempre ouvir a voz amada e esperar para comemorar nosso tempo juntos, sonhar meu futuro no futuro dele, torce que aconteça certo. Quero sentir o cheiro dele e sentir saudade, desejar beijá-lo ou simplismente estar ao seu lado, por isso ser algo natural e confortante. Quero me sentir amada não só nos por causa disso, mas tambem nos apesar disso. Quero alguém que me faça sentir raiva de amá-lo para depois me arrepender de desejar não conhecê-lo. Não quero alguém que me faça rir, porém alguém que me faça gargalhar. Quando eu estiver velhinha ele me ame mesmo que eu não tenha mais a mesma aparência e nem mais as manias e os gostos de minha juventude. Quero alguém que saiba chorar por mim e, principalmente, comigo. Quero alguém que me escute e TENTE, mesmo que nem sempre consiga, me entender, eu lhe farei isso também. Quero alguém que seja Homem o bastante para ser fiel e leal, assim como eu serei Mulher o bastante para sê-lo também.

TER OU NÃO TER NAMORADO, de Artur da Távola

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"E falta sempre uma coisa,
Um copo,
Uma brisa,
Uma frase.
E a vida dói guando mais se goza
E guando mais se inventa" (Fernando Pessoa)
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Dentro de mim me quis ver. Tremia,
Dobrado em dois sobre o meu própria poço...
Ah, que terrível face e que arcabouco.
Este meu corpo languido escondido!

O boca tremula, cerrada e fria,
Cujo o silencio esfíngico bem ouço!
O lindos olhos sôfregos, de moco,
Numa fronte a suar malancolia!

Assim me desejei nessa imagens.
Meus poemas requinteis e selvagens,
O meu Desejo os sulcos de vermelho:

Que eu vivo e espera dessa noite estranha,
Noite de amor em que me goze e tenha,
... Lá no fundo do poço em que me espelho! (José Régio)
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Grande Vinicius de Moraes



domingo, 24 de abril de 2011

Silêncio da Alma


      Meus maiores desejos é chegar ao nível de perceber essa sabedoria que se encontra por todo lado e na comunhão com meu povo, com meu planeta, com universo e, principalmente, mais importante, em comunhão com Deus.